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PRINCÍPIOS

CIDADANIA MOMESCA

A reunião periódica de centenas de foliões define uma sociedade carnavalesca. Lastreado na realidade social, o reinado momesco inverte e sublima as tensões cotidianas em sonhos e fantasias. Durante os festejos, a cidade destila suas frustrações, traumas e mazelas em ironia, picardia e êxtase.

Alegoria da atmosfera do seu tempo, o Baile do Sarongue também segue esse princípio, invocando anjos e demônios dos carnavais para batizar o seu tema anual. 

Artistas convidados criam as instalações que ocupam o salão, com base na temática escolhida.

TRADIÇÃO-INVENÇÃO

É considerado um dos princípios estruturais do Baile: Religar a tradição de salão carnavalesco com a experimentação artística contemporânea. Busca-se provocar o cruzamento entre invenção-tradição-diversão, com interação de diferentes gerações.

CHAVE DA FOLIA

A partir de 2013, não só o Rei Momo recebe a Chave da Cidade-Sarongue, mas também todos os foliões, de forma a distribuir entre todos o pertencimento da experiência festiva.

Desse modo, a Chave passa a ser o ingresso e a sua aquisição ocorre apenas de forma presencial; não há venda virtual.  A busca pela Chave gera movimento e contato, promovendo uma espiral de encontros em locais inesperados, divulgados apenas na véspera. A energia despertada se transfere para o salão.

 

ACUPUNTURA ORBITAL

A comunicação do baile é focada no conteúdo histórico-carnavalesco e no tema anual. Como uma acupuntura, o sentido da divulgação segue o movimento vertical e pontual, atraindo um público pré-disposto, que irradia a informação, de forma orbital,  colocando aqueles que estão em torno em sintonia com a proposta. 

 

CORPO COLETIVO

A participação nas diversas etapas formadoras do Baile consolida o sentimento de cidadania utópica e fortalece o grupo. O processo prepara o corpo coletivo que encherá o salão. Essa dinâmica é presente nos detalhes do desenho do evento.

Chegada a data, quinta-feira pré-carnaval, a montagem da instalação é orientada com a participação de dezenas de pessoas. O uso de materiais de baixa tecnologia é um instrumento que contribui para maior participação nas montagens, sendo desnecessária qualquer habilitação técnica. Essencialmente democrático, o processo coletivo modula esteticamente o Baile.

ARQUITETURA FESTIVA

Busca-se realizar o evento em salões que possuam densidade histórico-festiva, de forma a reforçar a linha de tempo simbólica na qual o evento se insere. O intuito é iluminar o passado, muitas vezes esquecido, de tradição carnavalesca de locais emblemáticos.

O PALCO É O SALÃO

Ao contrário de um show, onde a atenção está voltada para o palco, no Baile, o salão é o protagonista – o palco é o salão. Promover a dança coletiva pela interação entre os foliões é um dos princípios fundamentais do Sarongue. O corpo do Baile se define no movimento do singular para o comunitário, para um estar junto em vibração, tendo a comunhão festiva como fim. Os antigos bailes de carnaval preservaram o ritual ancestral da dança circular de grupo. Nosso intuito é retomar a força desta tradição.

 

A organização da roda entrelaçada pelo ritmo estabelece elos com a unidade em múltiplas instâncias; induz a passagem do singular para o comunitário. A sinergia rotacional coloca os povos em ressonância com o movimento cósmico. Dentro do turbilhão, a existência humana atinge o mais alto grau de afirmação, seja social, cultural ou espiritual. (Bernhard Wosien, Dança - Um caminho para a totalidade)